
Publicado por Connectarch
Duração 11 MIN
Data de publicação 26/06/2023
Connect Talks: temas inovadores em palestras com nomes referência no setor
Design autoral, arquitetura para criação de estandes, a interrelação do design e o afeto, e a participação feminina no mercado arquitetônico. Foi com esses temas que o Connectarch recebeu convidados e visitantes na Casa Brasil Eliane para o Connect Talks. A série de encontros ouviu quatro dos grandes nomes do segmento no país: Guto Requena, Fernando Forte, Lara Kaiser e Estevão Toledo.
Confira como foram os talks. O conteúdo permanece disponível para os membros do programa de relacionamento e pode ser assistindo na plataforma www.connectarch.com.br.
Guto Requena – Design e afeto
Guto Requena abre o ciclo de conversas do Connect Talks, jogando luz ao tema ‘Design e afeto’. Sempre antenado e preocupado com os rumos das pessoas enquanto sociedade, Guto desenvolve projetos que mesclam tecnologias inovadoras com design, ou seja, cria projetos que são capazes emocionalmente e com funcionalidades reais. Projetos interativos, urbanismo, desenvolvimento de mobiliário urbano, hospitalidades como hotelaria, bares e casas noturnas pontuam as criações do estúdio homônimo, e todos sempre conectados por sua paixão pela tecnologia, “não só pela tecnologia em si, mas por uma tecnologia que fale desse tempo que a gente vive, que possa ser afetiva”, esclarece Guto.
Assim, parte de seus projetos trazem sensores que captam as emoções, gerando um ‘bio-feedback’, em suas próprias palavras. “Sabemos que quando estamos emocionados, nosso corpo produz dados, então me questionei: E se eu puder usar sensores nos corpos das pessoas para detectar essas emoções?” A partir daí ele e sua equipe desenvolveram uma série de pesquisas que envolvem usar sensores que coletam atividades cerebrais, batimentos cardíacos, voz, suor e por meio dos quais obtém ‘insights’ e ‘inputs’ mais afetivos, mais subjetivos e por meio dos quais se aprofundam nas pesquisas de novos projetos que, entre outros, visam proporcionar empatia, amor, felicidade e, consequentemente, melhorar a vida das pessoas. “A arquitetura pode aproximar ou separar pessoas, por isso, pensar a empatia de modo ativo é algo que temos tentado fazer em nossos projetos”, finaliza Guto.
Fernando Forte – Arquitetura contemporânea
Mediado por Regina Galvão, o arquiteto Fernando Forte fala sobre os estandes que assinou para Decortiles e Eliane na Revestir. Sócio de um dos escritórios mais importantes do país, tem em seu DNA trabalhar com os mais diversos tipos de materiais e, juntos, criam de móveis a projetos de arquitetura, premiados e reconhecidos, inclusive, internacionalmente. Acerca do desenvolvimento dos estandes para feira, Fernando conta que, liderado pela equipe de edificações, os projetos foram pensados de formas distintas para atender às diferentes propostas dos lançamentos que seriam apresentados ao público da Revestir. “Mesmo um estande sendo de frente para o outro, queríamos buscar alguma conexão entre as marcas, mas deixando claro qual é qual e valorizar as esquinas que eram espaços importantes,” conta o arquiteto.
Com base em cada característica individual de cada uma, “pensamos de que forma poderíamos fazer a síntese individual, sem criar apenas uma grande salada com os produtos”, pontua. Assim, Eliane trouxe dentro dos seus 600 metros quadrados, pequenos ambientes onde os produtos eram apresentados de forma que o público pudesse compreender melhor cada uso e aplicação de determinada novidade. Entre os destaques do projeto arquitetônico, uma estrutura que ‘envelopou’ todo o estande trazendo peças de porcelanatos alocadas tanto nas laterais, quanto na parte superior, de forma inovadora em que revestimentos também poderiam ser vistos no teto, ao invés de apenas no chão.
Já para Decortiles, que contava com um espaço de 400 metros quadrados para expor seus lançamentos dentro da feira, foram pensados dois projetos, sendo o segundo o escolhido pela marca. Nele, uma proposta mais afetiva, com inspirações nos anos 1950, e que traz um pouco da identidade Decortiles, o estande foi criado de forma mais homogênea por fora e diversificada por dentro. Desse modo, o escritório desenhou espaços sensoriais onde as novidades foram apresentas em um projeto permeado por plantas e até sons, e de forma mais contínua, linear, peças vintage como uma cadeira de balanço, mancebo, máquina de costura, entre outros, estavam dispostos com os revestimentos das novas coleções.
Lara Kaiser – Mulheres na arquitetura
Já no terceiro dia, a arquiteta e líder em Healthcare da Perkins & Will São Paulo, Lara Kaiser, fala sobre ‘Mulheres na arquitetura’. Com passagens, estudos e formação específicas na área da saúde, Lara foi convidada a assumir um cargo de direção, em 2016, em uma filial paulistana na qual 70% dos integrantes eram homens. Atualmente, com orgulho, ela conta que a equidade foi alcançada sendo a equipe composta por 50% de homens e 50% de mulheres. “Hoje está bastante equilibrado, mas, no dia a dia, ainda temos algumas lutas, confesso”, relata aos risos. Em um dos pontos de sua explanação, Lara ressalta a importância de uma frase: “Mulheres também renderizam”, uma vez que segundo ela, é (era) um ofício estritamente masculino. “Parece que quem trata de tecnologia, quem renderiza são sempre os homens, então a gente fala isso, pois dentro da arquitetura, qualquer território, também é de mulher”, dispara.
Lara apresenta uma série de projetos arquitetônicos capitaneados por mulheres ao longo de sua explanação e destaca a destreza feminina em organizar e a habilidade em fazer duas, três ou mais atividades ao mesmo tempo, exemplificando que essa mesma agilidade, empregada nos afazeres domésticos, é facilmente aplicada ao trabalho, pois é algo intrínseco às mulheres. “Somos executoras e essa característica, juntamente com produtividade, gestão e organização são muito fáceis de serem praticadas dentro dos escritórios”, pontua a arquiteta. Inspiradoras, segundo ela outra vertente feminina, as mulheres têm essa capacidade devido “ao dia a dia do trabalho ser muito duro às vezes e a mulher, até por ser mãe, inclusive as de gatos e cachorros, tem uma delicadeza diferente e acolhedora de lidar com o próximo, e isso pode ser inspirador para os outros”, finaliza Lara.
Estevão Toledo – Design autoral
Estevão Toledo fecha a sequência de talks no quarto dia e aborda a questão do design autoral e já no início de sua fala, percebe-se o fio condutor que leva a todo seu raciocínio que abordou o tema ‘Design autoral’. “Hoje em dia tem muita gente replicando conteúdo e pouca gente conseguindo fazer conteúdo de fato.” Para ele, “as pessoas se acomodaram muito no virtual, principalmente por conta da pandemia e isso é muito triste, porque a gente recebe uma série de conteúdos e percebe-se que é sempre mais do mesmo, sem aprofundamento nenhum”, lamenta o designer.
E com base nesse vazio onde falta criatividade, tempo para estudo e aprofundamento, o designer, em um paralelo entre a real função da vida compreendida pela entrega de cada um para o próximo, e para si mesmo, e a lacuna que existe criada por meio de facilidades que chegam pelo acesso fácil ao dinheiro, por exemplo, surge aí um vácuo acerca da essência humana. “Em determinado momento, percebi que não tinha autoria da minha vida. Não a usava para aquilo que eu acreditava”, comenta Estevão ao pontuar que isso pode acontecer, entre outros fatores, devido também à padrões pré-estabelecidos que prejudicam a individualidade e, consequentemente, impedem o florescimento da criatividade que, segundo ele, é natural de cada ser humano e que precisa ser aceito e valorizado.