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Publicado por Connectarch

Duração 11 MIN

Data de publicação 03/07/2023

MADE IN BRAZIL

Brasileiros deixam suas marcas no mundo e fazem história com seu talento em grandes mostras de arte, cinema e arquitetura

Já somos oito bilhões de seres humanos povoando o planeta e, ainda assim, algumas pessoas se destacam em meio a esse universo tão vasto. Seja por seus feitos corajosos, iniciativas fora da curva, talento ou dom, fato é que, volta e meia, personalidades e celebridades entram para a história, marcam gerações e, mais que isso, marcam individualmente vidas a cada novo século. E isso vale para diversos segmentos que vão da medicina à literatura, do cinema às artes visuais, do esporte à arqueologia. E, falando especificamente da arquitetura, há muito o que celebrar. Alguns brasileiros notáveis já nos encheram – e até hoje enchem – de orgulho por suas criações e legado imensuráveis.

A notoriedade desses profissionais em mostras do segmento, como a Bienal de Arquitetura de Veneza, a mais importante do setor no mundo, já rendeu prêmios, homenagens e menções honrosas a grandes nomes como Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha. Com edições desde 1980, a mostra deste ano estreia em 20 de maio e segue até 26 de novembro, em Giardini, Veneza, uma área de parque na cidade histórica e culturalmente importante. Em sua 18ª edição, terá como tema “O laboratório do futuro” sob a curadoria da acadêmica, educadora e romancista Lesley Lokko.

Projeto "Terra", de Gabriela de Matos e Paulo Tavares, vence o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura em Veneza (Matteo de Mayda/La Biennale di Venezia)

Aliás, Veneza é palco não só da Bienal de Arquitetura. A cidade também abriga a Bienal de Música, de Teatro, de Dança e o grande Festival Internacional de Cinema, esse o mais tradicional e antigo do mundo sobre o tema e o mais importante ao lado de dois outros igualmente grandes festivais: o de Cannes, na França, e o de Berlim, na Alemanha. A mostra tem entre os objetivos promover o cinema internacional enquanto arte e entretenimento e, assim como a mostra de arquitetura, premiar e homenagear talentos e apresentar retrospectivas.

A última edição do festival de cinema, que pontuou a 79ª mostra, aconteceu em 2022 e deu Brasil. Pedro Harres levou o Grande Prêmio do júri na mostra paralela com o curta “From the main Square” e, na seção “Horizontes”, que marca a competição internacional destinada às novas tendências estéticas e expressivas do cinema mundial, destaque para o filme “A Noiva” de Sergio Tréfaut, uma ficção que retrata histórias reais de jovens europeias que se casam com jihadistas do Estado Islâmico. O filme foi selecionado para ter sua estreia com exibição mundial durante o evento.

Chão de Caça | Foto: Francesco Galli

Não dá para esquecer, nas artes plásticas, a menção honrosa que a artista mineira Cinthia Marcelle recebeu durante a Bienal de Arte de Veneza em 2017. A artista propôs a instalação “Chão de Caça” marcada por um piso inclinado feito a partir de grades de ventilação soldadas na qual inseriu seixos entre os vãos. Elementos escultóricos foram alocados sobre a estrutura que ocupou todo o interior das duas galerias do pavilhão brasileiro. Uma série de pinturas e um filme que tocava ininterruptamente compuseram a obra da brasileira.

Ainda no âmbito artístico, é preciso mencionar que na última edição da Bienal de Artes de Veneza, ano passado (2022), cinco artistas brasileiros foram selecionados para a mostra principal. O indígena Jaider Esbell – artista em ascensão morto aos 41 anos em novembro de 2021, e Lenora de Barros, Luiz Roque, Rosana Paulino e Solange Pessoa, compuseram o seleto time escolhido pela equipe italiana da mostra. Já outro artista, o alagoano de 40 anos Jonathas de Andrade, mostrou toda sua brasilidade no Pavilhão Brasil na 59ª mostra de arte.  

Enquanto isso, os arquitetos brasileiros...

Leão de ouro | Bienal de Veneza

Mas voltando para a arquitetura, o cenário para nossos conterrâneos é ainda melhor. O primeiro a ser laureado com o Leão de Ouro, em 1996, foi o mestre Oscar Niemeyer (1907 – 2012) por ocasião da VI Mostra Internacional de Arquitetura em que foi exibida, no Pavilhão do Brasil, uma exposição sobre suas obras. Paulo Mendes da Rocha (1928 – 2021), outro expoente da arquitetura nacional, também foi agraciado com o prêmio pela “eternidade de seus trabalhos” durante a 15ª edição do evento.

Vale citar, ainda que não tenha nascido em terras tupiniquins, mas que viveu a maior parte de sua vida e onde assinou alguns dos mais emblemáticos projetos de arquitetura, a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914 – 1992). De coração e alma brasileiros, a arquiteta também foi homenageada – in memoriam – com o Leão de Ouro e, mesmo sendo uma homenagem póstuma, ela foi lembrada e teve o reconhecimento durante a 17ª edição da mostra que aconteceu em 2021. Foi a primeira vez que o prêmio foi concedido a uma mulher por sua trajetória e conjunto de sua obra. O prêmio é um reconhecimento aprovado pelo Conselho Administrativo de La Biennale di Venezia e, raramente, acontecem premiações póstumas. O Leão de Ouro é o prêmio mais importante e emblemático entregue pela Bienal.

E tem mais Brasil!

Gabriela de Matos e Paulo Tavares, curadores do Pavilhão do Brasil na 18ª Mostra Internacional de Arquitetura © Levi Fanan e Diego Bresani

O pavilhão Brasil da próxima edição da Bienal de Arquitetura de Veneza terá como curadores os arquitetos Gabriela de Matos e Paulo Tavares que para o tema “Terra”, num diálogo direto com o proposto pelo evento – O Laboratório do Futuro – propuseram uma exposição que parte da terra como motivo fundante das concepções, imaginários e narrativas de formação nacional.  No site da Fundação Bienal de São Paulo eles contam: “Representações da nacionalidade foram estruturadas pelas visões idealizadas e racializadas de natureza tropical... A terra também é um motivo fundante nas cosmologias, filosofias e narrativas das populações indígenas e afro-brasileiras que formam a maior parte da matriz cultural nacional. Mas nesta abordagem, o conceito de terra aparece sob outra forma, como ancestralidade que nos remete a geografias culturais mais adentro e além do Brasil. Aponta para um outro sentido de terra e território – como pertencimento, cultivo, direito, reparação e outros imaginários de Brasil... Nossa proposta curatorial parte dessas reflexões e de sua relevância contemporânea para pensar o país enquanto terra. Terra como solo, roça, chão, território, terreiro. Mas também terra em seu sentido global e cósmico, como planeta e casa comum de toda a vida, humana e não-humana”, contam os curadores.

Serviço

Pavilhão do Brasil na 18ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia

Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo

Curadoria: Gabriela de Matos e Paulo Tavares

Exposição: Terra

Local: Pavilhão do Brasil

Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália

Data: 20 de maio a 26 de novembro de 2023

Mais informações em https://www.labiennale.org/it