
Publicado por Connectarch
Duração 9 MIN
Data de publicação 14/01/2022
Jardins Comestíveis
Historicamente já são 351 espécies catalogadas, mas plantas comestíveis já supera três mil.

Já bastante difundida entre chefs, as PANC, como são conhecidas as Plantas Alimentícias Não Convencionais, vem ganhando cada vez mais admiradores e destaque na culinária brasileira. O Connectarch conversou com a herborista da Sabor de Fazenda, Sabrina Jeha, especialista no cultivo das plantas, e com a chef Camila Botelho, que trouxeram informações sobre a melhor forma de cultivo e consumo. O paisagista Roberto Riscala também contribuiu com o tema – seu ambiente na CASACOR São Paulo 2018 continha um jardim comestível repleto delas.
Desde que passaram a ser pesquisadas e identificadas como plantas comestíveis, as PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais –, têm ganhado adeptos aos seus sabores inigualáveis e pesquisadores se debruçam cada vez mais na descoberta de novas espécies, como o professor e biólogo Valdely Kinupp, autor do livro Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC) no Brasil. Nesse livro, o pesquisador apresenta 351 espécies, mas ao longo do trabalho ele conta que tem catalogado cerca de 3000 plantas com potencial comestível.
Com nomes nada convencionais como Peixinho da Horta, Beldroega, Serralha, Ora-pró-nobis, Taioba, Coração, Palmito da Bananeira – só para citar algumas –, são consideradas como bastante saborosas pela herborista Sabrina Jeha. “São deliciosas e podemos incluí-las facilmente no nosso dia a dia.” E completa: “Algumas PANC nascem de forma espontânea nos nossos canteiros e vasos como a Serralha, o Caruru e a Beldroega. Outras, como a Capuchinha, o Hibisco, o Peixinho da Horta, podem ser cultivadas em um vaso no tamanho adequado (pelo menos 20 cm de profundidade), boa exposição solar (pelo menos 4h de sol ao dia) terra boa e rega equilibrada”, aconselha Sabrina.
À frente do viveiro Sabor de Fazenda, ela orienta que “um dos principais cuidados é ter certeza de que a espécie que estamos cultivando é realmente a desejada, por isso, é importante adquirir as mudas e sementes com viveiros e produtores sérios. Além disso, o principal cuidado na hora do consumo é saber se há um pré-preparo, como é o caso da Taioba que precisa ser cozida para eliminar o oxalato presente nas folhas.” Cuidados tomados, Sabrina dá dicas sobre sabores, texturas e melhor forma de consumo, como por exemplo, utilizar Peixinho da Horta em empanados, pois com uma textura incrível e rico em fibras, trará um sabor inigualável. Já a Salsa Libanesa, rica em minerais e de fácil cultivo, pode ser uma boa opção para substituir a salsa (aquela mais comum, encontrada facilmente em supermercados) e é perfeita para a finalização de pratos como risotos e ensopados.
A chef Camila Botelho, coordenadora da Sociedade Vegetariana, faz coro à herborista: “Veganos e atletas amam Ora-pro-nobis por seu alto valor proteico e por ser rica em nutrientes como vitamina C, ferro, fibras, manganês, magnésio e cálcio, proteínas vegetais, que são cerca de 25% da sua composição, e aminoácidos essenciais. Entre seus muitos benefícios, ela ajuda na recuperação muscular e, para mim, a melhor pedida é colocar no suco da manhã ou pós-exercícios.” A chef ainda conta que entre as PANC com muitos benefícios à saúde, pode-se considerar a Taioba, “fica deliciosa cortada fina e refogada com alho, com a couve, com tomatinhos picados, além de ter alto poder antioxidante e que combate anemia” e a Capuchinha: “uso sempre as folhas e flores em saladas, pois podem ser consumidas cruas. São nutritivas, ficam lindas na salada e enfeites de pratos e, ainda, são anti-inflamatórias e excelentes antioxidantes.”


Flores para ver e comer
As flores comestíveis são um claro exemplo de PANC: deliciosas e ricas em flavonoides, substâncias antioxidantes, dão cor, sabor e um toque especial à comida do dia a dia. A herborista cita alguns exemplos de flores comestíveis: Capuchinha, todas as flores das ervas, Cravinas, Begônias, flores de Ipê amarelo etc.
“Contudo, apesar do enorme potencial alimentício, ainda não existem muitos estudos sobre as PANC, então é importante começar a consumi-las aos poucos. Um cuidado básico é pesquisar a forma de preparo antes de ingerir qualquer uma. Espécies ricas em oxalato, como a Taioba e o Caruru devem ser branqueadas/cozidas antes do consumo. A dica básica para ter segurança alimentar nesse caso, é comer pouca quantidade e muita variedade”, alerta Sabrina.

Bonitos e Saborosos

As PANC geram lindos jardins e, levando em consideração que são comestíveis, fica ainda melhor, como explica Sabrina. “PANC possui um enorme potencial nos jardins comestíveis. Vale pesquisar a forma e como elas se apresentam: a Ora-Pró-Nobis, apesar dos espinhos, quando em flor, dá um show de beleza. As várias espécies de Hibiscos e outras flores comestíveis são belíssimas. Basta entender se a espécie escolhida é perene ou anual e mandar ‘brasa’ na criatividade. O jardim ficará lindo e saborosíssimo.”
O paisagista Roberto Riscala e seu ambiente “Jardim das Casas” que o diga. Ele assinou o espaço e trouxe um jardim comestível na edição de 2018 da mostra CASACOR em São Paulo. “O uso das espécies comestíveis é uma das formas de usar o jardim em benefício próprio, aliando beleza e funcionalidade em um único lugar”, pontua o paisagista que mostrou aos visitantes plantas como a Tagete, uma espécie aromática, apresenta um leve odor de anis. As folhas podem ser usadas para chás ou como condimentos em sopas e carnes assadas, já a flor pode ser consumida em saladas. Amor-perfeito, outra PANC que compunha o jardim de Riscala, é muito comum em canteiros pelo Brasil todo, e é possível comer tanto as folhas quanto as flores desta espécie. Ela pode ser utilizada – crua ou cozida – em saladas, sopas, bebidas e geleias. Alfavaca, Nirá, Saião, Santolina, entre outras, também compuseram o jardim.