
Publicado por Connectarch
Duração 8 MIN
Data de publicação 20/04/2023
Co-living: O morar no século 21
Compartilhar espaços, ressignificar o senso de habitação e pensar coletivamente permeiam as novas formas de moradias contemporâneas
O nome soa moderninho, mas o conceito nem tanto. Originalmente denominado como cohousing, o modelo de co-living atual, surgiu na Dinamarca nos anos 1970. À época, 35 famílias viviam em espaços privativos, mas compartilhavam áreas comuns, de convivência e espaços de refeições. Anos mais tarde, o formato, que resumidamente engloba o conceito de senso de comunidade, sustentabilidade e economia colaborativa, ganhou força – parte impulsionado pelos altos preços dos imóveis e, por outro lado, pelo estilo de vida e da nova configuração de famílias. Hoje existem diversos e diferentes tipos de co-living que partem desde moradias para famílias que moram em apartamentos privativos, mas que compartilham de áreas comuns, cozinhas e áreas de lazer com outras pessoas até edifícios inteiros que abrigam apenas estudantes.
É o caso da rede Uliving. Criada no Brasil em 2012, surgiu a partir do conceito ‘student housing’, já bastante conhecido na Europa e Estados Unidos. Com foco total em estudantes, a rede já possui seis endereços, sendo cinco em São Paulo e um no Rio de Janeiro, e segue o plano de expansão – abrir a primeira unidade no Rio Grande do Sul ainda no primeiro semestre deste ano. Juliano Antunes, presidente da Uliving, conta que “fomos a empresa pioneira a trazer este conceito para o Brasil e começamos este movimento de organizar um mercado informal de residência estudantil, formado pelas tradicionais repúblicas, que sempre foi popular entre os jovens que saem de casa para cursar uma universidade. Em 2014 abrimos nosso primeiro empreendimento focado em proporcionar uma experiência única de compartilhamento e convivência, sem abrir mão da estrutura e segurança para os estudantes.”


Diferentes, mas iguais
Em geral, tanto as moradias de São Paulo quanto as do Rio têm quartos com tamanhos diferentes, com uma média de 15m² cada, mas a rede oferece algumas configurações diferenciadas, como quartos individuais ou para compartilhar e, por isso, possuem metragens diferentes. Contudo, todas as unidades possuem cozinha compartilhada, co-working, sala de TV, salão de jogos. A exceção fica no empreendimento do Rio de Janeiro – mesmo prédio onde funcionou o emblemático Hotel Novo Mundo e que teve hóspedes ilustres como o Pelé, por exemplo – com área de piscina e churrasqueira no terraço. Mas, mesmo sendo focado para estudantes, o arquiteto Beto Magalhães, sócio-fundador do escritório Beto Magalhães Arquitetura, que assina algumas unidades do Uliving, pontua que é preciso observar as diferenças de cada lugar e de cada estudante. “Não há regra, porque vai depender do público-alvo e as necessidades desse público, que são os estudantes, e que são diferentes de uma família, digamos ‘tradicional’.

Mesmo com as diferenças e igualdades apontadas, há itens que precisam ser compreendidos em sua totalidade nos projetos para assegurar conforto e privacidade. “Pessoas precisam dormir, precisam comer. Então, pensa-se em uma minicozinha para que não haja a necessidade de se locomover para outro andar, por exemplo. Modo de vida compartilhado vai do bom senso de acordo com cada prédio e cada realidade”, exemplifica o arquiteto e completa: “O interessante do conceito co-living é que é possível desconstruir alguns parâmetros que são estabelecidos pelo dia a dia. Não precisa esconder a cozinha ou a lavanderia. Não existe isso. Tudo é uma questão de como você qualifica o ambiente.”



E não faltam opções!
Com diversas opções de estilos e tamanhos, e pronto para atender a diferentes perfis, o modelo de moradia compartilhada é, de fato, um caminho sem volta e tem crescido a passos largos. Cinco opções distintas de apartamentos que variam de 25 a 30, pontuam o co-living KASA, voltados apenas para aluguel e que atendem qualquer perfil de público, de viajantes a estudantes, até solteiros e casais. Localizado em São Paulo, no bairro Vila Olímpia, o empreendimento oferece uma série de serviços para seus moradores como lavanderia, espaço co-working – de uso gratuito aos moradores e aberto 24h –, academia, Wi-Fi – disponível nas áreas térreas de uso comum dos moradores do Kasa nas áreas de co-working e lounge –, portaria e segurança 24 horas, serviço de concierge, entre outros. Os apartamentos são mobiliados e equipados com geladeira, fornos, cooktop, pia e ar-condicionado.
Há também outras estruturas que abrigam os modelos de moradia compartilhada. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a rede Rent Co-living ocupa de casarões icônicos a pequenos edifícios em áreas consideradas privilegiadas na cidade, próximas a centros comerciais, boêmios e centro histórico. Entre os propósitos da rede está criar uma comunidade que seja, e esteja, unida para que seus hóspedes desfrutem o melhor que a vivência em coletivo pode proporcionar. Para isso, a rede promove engajamento por meio de atividades como aulas de meditação guiada, aulas de tênis e aulas de dança, além de oferecer em suas unidades, moradias mobiliadas, espaços de co-working, academia, lavanderia, esquema de limpeza semanal, área de lazer com piscina e, claro, como uma boa empresa sulista, um espaço de churrasqueira.
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