Connectarch

Publicado por Connectarch

Duração 8 MIN

Data de publicação 06/04/2023

Antiquariato: Um acervo de raridades e histórias únicas

O garimpo e a curadoria de gerações que reúnem e preservam itens valiosos e seculares por meio do antiquariato.

Por Jucelini Vilela

Desvendar o passado e conhecer a história por meio de traços, tintas, desenhos e matérias-primas faz parte do universo de diferentes tipos de estudiosos e profissionais como os arqueólogos e os restauradores, por exemplo, mas o que pouca gente sabe é que o mundo do antiquariato é, também, um espaço – voltado para a comercialização de itens que vão de livros raros, obras de arte até peças de mobiliário – no qual a investigação histórica, somada a um olhar apurado, pode trazer à tona fatos e feitos nunca antes revelados.  “Costumo dizer que a melhor forma de se entender o presente e de prever o futuro é estudando o passado, e o antiquariato fala exatamente disso.” Essa frase é de André Danemberg. Arquiteto de formação, o jovem de 31 anos está assumindo a terceira geração de um dos antiquários mais respeitados de São Paulo, o Arnaldo Danemberg Collection.

Foto: Romulo Fialdini

Com uma trajetória de 41 anos, Arnaldo Danemberg, pai de André, é escritor, pesquisador e professor do móvel luso-brasileiro e europeu. É, também, o fundador do antiquário, localizado na Rua Groenlândia 503, em São Paulo. No comando da empresa, ele – que herdou a paixão e o conhecimento do pai, igualmente Arnaldo Danemberg –, conta sobre a trajetória e sucessão. “Estamos hoje com a presença do André no antiquário que já está em sua terceira geração. Meu pai foi ao longo de sua vida inteira um colecionador. E, por cerca de nove anos, também formalmente, um antiquário estabelecido. Daí, somados aos meus 41 anos de antiquariato, podemos calcular, no momento, 50 anos no ramo no Brasil e no exterior."

Cerca de mil produtos preenchem os quinhentos metros quadrados do antiquário paulistano. Entre baús, mesas de aparato, cômodas, pequenas mesas, bibliotecas e caixas, “nossos itens mais vendidos, dentre tantos outros”, como diz Arnaldo, a totalidade das peças comercializadas vem da Europa Continental e Inglaterra. “A seleção e curadoria do acervo do antiquário é feita a partir da compra. Meu olhar é direcionado ao mobiliário europeu de qualidade, dos séculos XVI ao XIX, sobretudo. Após esse intenso garimpo, a restauração é também um ponto muito importante do nosso trabalho. A partir daí vem a classificação formal de cada item e a exposição e venda em nossa loja.”

E tem público cativo. “O perfil de nossa clientela é de um público privilegiado que busca a qualidade e o valor histórico para a sua casa. Uma busca de memória, sem excessos desnecessários. Um acervo com elegância natural, até mesmo discreta, tal qual o nosso cliente. Sua preocupação está mais com a estética e a cultura do que com o exibicionismo”, relata o antiquário. A Arnaldo Danemberg Collection, segundo seu fundador, vende para todo o Brasil e para o exterior. “Os condomínios de casas no interior de São Paulo são um ponto de referência e, no exterior, cidades como Genebra, Paris, Londres, Punta del Leste, Lisboa, Amsterdam, Nova York e Miami possuem residências com peças oriundas de nosso acervo”, finaliza Arnaldo Danemberg.

Foto: Romulo Fialdini

Nem tudo que reluz é ouro

Um ponto importante e que difere o antiquário das demais ou qualquer loja de venda de móveis, é a curadoria, pois, afinal, nem tudo se aproveita, confirma André. “O Antiquário busca a peça que tem valor histórico e ao mesmo tempo utilidade em um apartamento contemporâneo. Claro que também existe uma certa criatividade no sentido de propor algo novo para uma peça antiga, como, por exemplo, um baú que vira lateral de sofá. Mas o nosso principal papel é garimpar uma boa peça.”

Futuro ameaçado?

Para André Danemberg, não! Como forma de perpetuar e fomentar a riqueza desse negócio onde o conhecimento e o olhar apurado são a chave do sucesso, algumas ações têm se destacado no antiquário a fim de estimular e garantir que todo esse savoir-faire simplesmente não desapareça. “Acredito que o melhor caminho para alcançar as novas gerações seja de transmitir a nossa paixão e o nosso conhecimento sobre o mobiliário antigo. Falamos bastante de uma época, séculos XVII, XVIII e XIX, primordialmente, que foram muito interessantes para a história da Europa, e o mobiliário da época acompanhou as mudanças ao longo dos tempos. Nesse sentido, fazemos palestras e aulas no antiquário sobre esse tema para arquitetos e interessados. Os arquitetos, inclusive, desempenham também papel fundamental para ‘educar’ as gerações mais novas através de seus projetos”, orienta André e finaliza: “Como arquiteto de formação, entendo acima de tudo a importância da história para a arquitetura, afinal, o contemporâneo só existe, pois algo veio antes.”

Fique por dentro de assuntos semelhantes através do Connectarch