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Publicado por Connectarch

Duração 8 MIN

Data de publicação 20/10/2022

A arquitetura verde moldando a paisagem urbana

O equilíbrio entre o concreto e o verde dita o desenvolvimento e contribui para a qualidade de vida das pessoas

Projetos paisagísticos em fachadas já são uma realidade em várias cidades de todo o mundo. O cinza do concreto vai dando espaço para o verde que, aos poucos, vai transformando a paisagem urbana, atraindo ainda mais natureza como pássaros e insetos, além de contribuir significativamente para a saúde e o bem-estar de seus habitantes. 

Alguns arquitetos e arquitetos paisagistas têm trabalhado na mesma direção em prol de uma ressignificação de fachadas de edifícios e outros espaços. Sejam frontais, laterais, paredes de casas e até corredores de avenidas, jardins verticais também são boas opções para quem tem espaços reduzidos e quer ter um jardim em casa. Entre seus benefícios, pode-se citar a ajuda para a melhoria do clima, são bons isolantes acústicos e térmicos e, ainda, contribuem para melhor conforto visual e para qualidade do ar, privilegiando a natureza e contribuindo para a melhoria da saúde de seus habitantes, como conta o arquiteto paisagista Benedito Abbud. “Percebeu-se que a natureza inserida nos centros urbanos melhora o ser humano. Você tem um restauro físico e mental e isso se provou, cientificamente, através de doentes do Healing Garden, os jardins de cura, que começaram a ser feitos em hospitais e onde, realmente, os doentes melhoravam muito mais rápido.”

Arquiteto paisagista desde 1974, quando se formou, Benedito Abbud é uma referência nacional no assunto. Aos 72 anos e mais de 50 de carreira, assina incontáveis projetos paisagísticos no Brasil e no exterior. Cidades como Porto Alegre, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo, entre tantas outras, contam com projetos de sua autoria. Vale citar, em São Paulo, o parque do Jaraguá – uma obra pública – e, entre os privados e um dos mais recentes na capital paulista, o projeto paisagístico do Cidade Matarazzo, cujo jardim vertical é um dos mais bonitos, e agora, um dos mais emblemáticos da cidade. Para Abbud, “criar jardins verticais, que é uma tendência internacional, é trazer a natureza para dentro da cidade e pensar em sustentabilidade ambiental.”

O Cidade Matarazzo, local onde havia o hospital popularmente conhecido como Hospital Matarazzo, surge do restauro deste complexo centenário onde há dez edifícios tombados em um terreno de 30 mil metros quadrados, no coração de São Paulo, próximo à avenida Paulista. Adquirido pelo empresário Alexandre Allard em 2007, anos após ser abandonado, pois o hospital foi desativado em 1993, o local passará a ser um símbolo da cidade e contará, ao final da construção, com edifícios contemporâneos como a Torre Mata Atlântica, arquitetura de Jean Nouvel, e projeto paisagístico de Benedito Abbud. “O projeto Cidade Matarazzo tem fachada verde com árvores de 15 metros de altura e já é possível perceber uma nova ecologia sendo formada com a chegada de passarinhos, neste local fantástico, no coração da nossa querida cidade”, conta Abbud. As árvores, entre jabuticabeiras, louro pardo e outras espécies, foram içadas e agora, de casa nova, são um ‘respiro’ para o bairro e oferecem um visual deslumbrante com seu efeito ‘Mata Atlântica’ em plena cidade.

Pelo mundo   

Há alguns exemplos, mundo afora, que atendem a essa arquitetura e já são referência no assunto. Em Milão, o Bosco Verticale é, além de exuberante enquanto espaço de vegetação viva, um ponto turístico na cidade. Assinado pelo escritório Stefano Boeri Architetti, o edifício residencial conta com 113 apartamentos divididos entre os dois edifícios. Localizado no distrito de Porta Nuova, sua fachada viva se destaca no horizonte com suas mais de 800 árvores e cinco mil arbustos. A floresta vertical, como também é chamado o projeto, filtra os raios solares o que proporciona um microclima interno diferente, sendo este mais acolhedor. A cortina verde ‘regula’ a umidade, produz oxigênio, absorve CO2 e a poeira fina. Com isso, foi vencedor de vários prêmios, entre os quais International Highrise Prêmio do Deutschen Architekturmuseums de Frankfurt (2014) e o Prêmio CTBUH para o melhor edifício alto do mundo, do Council for Tall Building and Urban Habitat do IIT de Chicago (2015).

Foto: Paolo Rosselli
Foto: Paolo Rosselli

Outro edifício que promete ser o maior em fachada viva do mundo, está sendo projetado na Austrália e, o Urban Forest, com está sendo chamado, prevê 550 árvores e mais de 25 mil plantas de 251 espécies nativas. Além de ser o residencial mais verde do país, será um edifício Carbono Neutro e contará com vinte andares, 194 apartamentos mais a cobertura e terá um parque público no térreo. Projeto do escritório Koichi Takada Architects, o edifício Urban Forest totaliza 2.782 metros quadrados numa área de 55 mil metros quadrados. Em conformidade com os Jogos Olímpicos de Brisbane em 2032, ele já é considerado o mais verde do mundo com certificação Green Star, que equivale ao LEED Platinum, isto porque traz diversas características sustentáveis que incluem painéis solares para a geração de energia renovável, captação de água de chuva para a irrigação dos jardins e implementação de materiais de origem sustentável que, além de favorecer o meio ambiente, é de baixa manutenção. Desse modo, há uma diminuição no consumo de energia e alta eficiência hídrica, reduzindo custos operacionais. Que comecem os jogos!

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